Pitanga
Eugenia uniflora
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 6
Pitanga quer dizer vermelha. É isso mesmo: na língua dos índios, pyrang era o vermelho, e a fruta ficou com o nome da própria cor. Quando você fala pitanga, está falando uma palavra que já era dita aqui muito antes de o Brasil se chamar Brasil.
E que fruta bem desenhada. Ela é uma lanterninha de gomos, com sulcos marcados de cima a baixo, como uma mini abóbora lustrosa. Vai do laranja ao vermelho vivo e, em alguns pés, chega quase ao preto. Madura, é doce com um toquezinho de resina, um gosto que não parece com nenhum outro. É uma das minhas favoritas.
A árvore inteira é perfumada. Amassa uma folha da pitangueira e cheira: sai um aroma forte, meio resinoso, a cara da fruta. As folhas novas nascem avermelhadas, como se a árvore avisasse a cor da fruta que vem.
No fim do inverno ela se cobre de florzinhas brancas cheias de fiapos, e as abelhas fazem a festa. Pouco depois começam as pitangas, e aí a concorrência é dura: sabiá, saíra e sanhaço conhecem o pé melhor que a gente, e sempre tem um bichinho que chega antes.
Ela é filha daqui: nasce na restinga e na beira da Mata Atlântica, aguenta vento e maresia, e por isso se dá tão bem nos quintais do litoral.
Essa foto fiz na rua de casa, em Maresias. O Kaian conhece o pé de cor: passa, confere se tem vermelhinha no ponto e já vai colhendo.
Só fica o combinado de sempre: as mais altas são dos passarinhos. Eles pagam a conta espalhando as sementes, e é por isso que pitangueira nunca falta por aqui.