Beija-flor-do-mato
Ramphodon naevius
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião
- Status de conservação
- Quase ameaçada (NT)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 22
Esse beija-flor tem serrinha no bico. É sério: a beirada do bico dele é serrilhada, cheia de dentinhos, e no macho a ponta ainda termina num ganchinho. Até o nome científico conta isso: Ramphodon quer dizer "bico com dente". Um beija-flor com ferramenta própria, saído da caixa com serra e gancho.
E ele não é um beija-flor qualquer: o beija-flor-rajado é o maior beija-flor da Mata Atlântica, com seus 14 a 16 centímetros. Pra um grupo de aves famoso por ser minúsculo, isso é ser gigante. A plumagem é parda com listras escuras descendo pelo peito, e é dessas listras que vem o "rajado" do nome.
O jeito de trabalhar dele é de quem tem rota fixa: em vez de ficar preso a uma moita só, ele visita as flores em sequência, uma aqui, outra ali, seguindo um caminho pela mata, como um carteiro que conhece todas as casas. Mas não pense que é bonzinho: quando encontra um trecho bom de flores, ele defende a rota e expulsa os intrusos, inclusive outros beija-flores. Além do néctar, ainda pega pequenos insetos e aranhas nas folhas e no ar.
Ele só existe no Brasil, e gosta de mata bem conservada, daquelas com sub-bosque úmido, riachos sombreados e flores em forma de tubo. Por isso mesmo, com a floresta diminuindo, ele entrou na lista das espécies quase ameaçadas. Onde o beija-flor-rajado aparece, é sinal de que a mata ainda está inteira.
Essa foto fiz num canto de mata aqui de São Sebastião. Eu estava sozinho na trilha quando ele surgiu, parou suspenso no ar por um segundo, como se conferisse o endereço, e seguiu pra próxima flor.
Guarda esse: o gigante dos beija-flores daqui, com serra no bico e rota decorada. Quem encontra um não esquece.