Saracura-sanã
Pardirallus nigricans
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 3
Sai uma voz do meio do brejo, alta, áspera, acelerada. Você olha, procura, chega mais perto. Nada. A voz continua, parece estar a dois passos. E você não vê ninguém. Bem-vindo ao jogo favorito da saracura-sanã: ser ouvida sem nunca ser vista.
Ela vive nos lugares mais embaraçados que existem: brejo, capinzal encharcado, beira de lagoa tomada de mato. O corpo escuro e alongado passa fácil por entre as plantas, e os dedos compridos funcionam como sapatos de neve, espalhando o peso pra ela andar por cima da vegetação molhada sem afundar.
Quando se sente ameaçada, ela tem dois planos. Plano A: congelar, virar estátua e sumir na paisagem. Plano B: sair correndo por dentro do mato. Voar mesmo, só em último caso, um voo curto e baixo, de quem prefere mil vezes o chão.
O dia dela é fuçar o barro atrás de insetos, caramujos, pequenos crustáceos e sementes. E o ninho? Escondido no meio das taboas e dos capins, tão bem guardado que nem enchente nem predador acham fácil.
A da foto se entregou perto de casa, aqui em Maresias, num canto alagado. Foi uma sorte dessas que o brejo raramente dá: ela saiu do esconderijo por um instante, o suficiente pro clique.
De manhã cedinho ou no fim da tarde, se você passar perto de um brejo e ouvir uma gritaria vindo de lugar nenhum, já sabe quem é. Ela está te vendo. Você é que não está vendo ela.