Angara
Angara
- Grupo
- Insetos
- Registros no iNaturalist
- 51
- Fotos no acervo
- 6
Esse aqui ainda não sabe cantar, e não é por falta de vontade. É filhote.
Ele é uma esperança jovem, e as esperanças cantam esfregando uma asa na outra, como quem passa um arco no violino. Só que asa é coisa de adulto. O filhote nasce sem, vai trocando de pele conforme cresce, e o instrumento só aparece na última muda. Até lá ele é mudo.
Repare no corpo dele: verde-limão coberto de calombos, espinhos e recortes, tudo irregular, como um pedaço de líquen ou de musgo que resolveu andar. Nada nele tem contorno liso, e é esse o ponto. Predador procura silhueta, e ele não tem uma.
Uma coisa que quase ninguém sabe sobre esse grupo: elas escutam pelas pernas. O ouvido fica na perna dianteira, logo abaixo do joelho, num par de tímpanos minúsculos. Para saber de onde vem um som, ela abre as pernas.
E o grupo delas é o das esperanças de folha, aquelas em que o adulto imita folha verde com nervura desenhada na asa, às vezes até com falso furo de lagarta e falsa mancha de mofo. Este filhote está no começo desse caminho.
Fotografei em agosto de 2026, no Camburí, e ele estava andando num corrimão de madeira escura molhada, onde aquele verde não tinha onde se esconder. São seis fotos.
Agora o número desta página, e ele é dos que impressionam: este gênero tem cinquenta e um registros no iNaturalist no mundo inteiro. Cinquenta e um, no planeta todo, e este encontro é um deles.