Rhinotus

Rhinotus

Grupo
Outros
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Fotografias
2

Isso é um piolho-de-cobra, e ele é vermelho vivo. Do tamanho de um pedaço de linha, enrolado sobre a ponta de um dedo, brilhante como esmalte.

Fotografei em agosto de 2023, em Maresias. Nas duas fotos ele está curvado em zigue-zague, e o corpo é fino demais para caber a ideia que a gente tem de piolho-de-cobra: nada da grossura escura e anelada que a gente conhece.

O grupo dele é bem diferente do resto. A cabeça termina em bico, não em mandíbula de mastigar, e serve para perfurar e sugar em vez de triturar folha morta.

E tem uma história que ainda me parece boa demais para ser verdade, mas é. Uma espécie deste gênero é apontada como a fonte de um dos venenos que os sapos-flecha da América Central e do Sul carregam na pele. Os sapos não fabricam aquilo: eles comem bichos que fabricam, e este é um deles. Ou seja, esse fiozinho vermelho é parte de uma cadeia química que termina numa das peles mais tóxicas do mundo.

O gênero tem treze espécies e nenhuma tem registro confirmado nesta região. No mundo são quinhentos e oitenta registros.

Duas fotos de um bicho de dois centímetros que carrega uma das histórias mais improváveis desse acervo inteiro.

Rhinotus, outros, fotografado em Maresias, São Sebastião Rhinotus, outros, fotografado em Maresias, São Sebastião

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