Cyclanthus bipartitus

Cyclanthus bipartitus

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Existe uma folha na mata que, depois que você aprende, nunca mais confunde com nada. É uma lâmina só, comprida, que se abre em dois bem no meio, como uma cauda de peixe.

E o corte não é estrago. Ninguém arrancou aquele pedaço, ninguém comeu: ela cresce exatamente assim, e é a única por aqui com esse desenho.

Ela vive no chão da mata fechada, no escuro e no úmido, e é da família de umas primas famosas: as folhas do chapéu-panamá saem de uma parenta próxima.

A flor dela é a parte bizarra. Não é flor de pétala: é um cilindro carnudo, enrolado em anéis como uma rosca de parafuso, onde as flores masculinas e femininas ficam em faixas alternadas. Na hora certa esse cilindro esquenta, e esquenta de verdade, ficando bem mais quente que o ar em volta, e solta um cheiro forte. O calor espalha o cheiro mais longe, e o cheiro chama besouro. Os besouros passam a noite ali dentro, comendo e se acasalando, e saem de manhã cobertos de pólen para repetir tudo na planta seguinte.

Fotografei em agosto de 2026, no Camburí, duas fotos: uma da folha contra a mata e outra da planta inteira saindo do folhiço.

Setecentos e sessenta e três registros no iNaturalist no mundo inteiro.

Cyclanthus bipartitus, outros, fotografado em Camburí, São Sebastião Cyclanthus bipartitus, outros, fotografado em Camburí, São Sebastião
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