Raia-de-Agassiz
Rioraja agassizii
- Grupo
- Peixes
- Onde foi registrada
- São Paulo
- Status de conservação
- Em perigo (EN)
- Fotografias
- 6
O filhote dessa raia nasce de uma coisa chamada bolsa de sereia. A mãe não solta os ovos na água de qualquer jeito: ela bota cada um dentro de uma capinha resistente, meio quadrada, com pontas nos cantos que se prendem nas algas e no fundo, feito uma mochilinha amarrada. Ali dentro, protegido, o filhote se desenvolve até estar pronto pra sair nadando. Quando uma dessas cápsulas vazias aparece na praia, o povo chama de bolsa de sereia.
Essa é a raia-de-Agassiz, e ela tem outra particularidade: é a única espécie do gênero dela no mundo inteiro. Não tem irmã, não tem prima próxima. É um ramo da árvore da vida com um galho só.
O corpo é um disco achatado, marrom salpicado de pintinhas, com o focinho de leve pontudo. A especialidade dela é sumir: fica parcialmente enterrada, joga areia por cima do próprio corpo e vira fundo do mar. Dali, com a boca voltada pra baixo, fareja e aspira o que vive no sedimento: camarãozinho, verme, peixe pequeno.
Ela vive nos fundos de areia e lama da nossa costa, descendo daqui até o Uruguai e a Argentina. E precisa de cuidado: as redes de arrasto capturam muitas delas, e hoje a espécie está ameaçada de extinção. Cada encontro com uma delas saudável é um pequeno privilégio.
Essa foto fiz aqui em São Sebastião, e ver uma deslizando rente ao fundo, serena daquele jeito, é das cenas mais tranquilas que o mar oferece.
Se um dia você achar uma capinha escura e quadradinha na areia da praia, com pontas nos cantos, segura ela contra a luz. Você pode estar segurando o antigo berço de uma raia.