Asa-branca
Patagioenas picazuro
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 23
Sabe a música "Asa Branca", do Luiz Gonzaga, aquela que todo mundo conhece? Pois é dessa pomba aqui que a música fala. A asa-branca inspirou uma das canções mais famosas do Brasil. Não é qualquer passarinho que tem uma música dessas no currículo.
O nome dela se explica no ar: quando levanta voo, aparece uma faixa clara atravessando as asas, visível por cima e por baixo, como se cada asa tivesse uma listra de giz. No chão, ela é um pombão grandão de tons pardo-acinzentados, com um detalhe elegante no pescoço: as penas têm bordinhas claras, formando um desenho de escamas, como se ela vestisse uma cota de malha.
E a história dela é de conquista. A asa-branca foi ganhando terreno país afora ao longo do último século, conforme as paisagens foram se abrindo, e hoje aparece até nas cidades, andando confiante por praças e quintais. De manhã cedo dá pra ouvir o canto dela: um arrulho grave e ritmado, um ronco fundo que embala o amanhecer.
Ela come sementes, grãos e frutos, tanto no chão quanto em árvores carregadas. E na hora de criar família, não perde tempo com luxo: o ninho é uma plataforma simples de gravetos num galho, onde normalmente cabem dois ovos e muita paciência.
Essa da foto cruzou comigo na Barra do Sahy, em São Sebastião, exibindo o pescoço escamado sem nenhuma pressa.
Da próxima vez que um bando de pombas grandes cruzar o céu, repara nas asas. Se aparecer a listra branca, você acabou de ver a estrela da música do Gonzagão.