Tartarugas-marinhas típicas

Cheloniidae

Grupo
Répteis
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Fotografias
3

Tartaruga marinha não consegue esconder a cabeça no casco. Aquele truque famoso das tartarugas de recolher tudo pra dentro da casquinha? As do mar não fazem. O corpo delas virou uma máquina de nadar: casco achatado e hidrodinâmico, braços transformados em remos, e a cabeça sempre de fora, apontando o caminho. Trocaram o esconderijo pela velocidade.

Essa é a família das tartarugas marinhas de casco duro, as Cheloniidae. No mundo todo, são só seis espécies: a tartaruga-verde, a cabeçuda, a de-pente, a oliva, a de-Kemp e a australiana. Meia dúzia de espécies pra dar conta de todos os oceanos.

E elas choram. Ou parece: as tartarugas marinhas têm, junto dos olhos, uma glândula especial que elimina o excesso de sal do corpo, já que elas vivem bebendo e comendo coisa salgada. O sal sai numa lágrima grossa, mais salgada que o próprio mar. Não é tristeza, é a tartaruga temperando pra fora.

A vida delas é dividida entre dois mundos: o mar, onde fazem tudo, e a praia, onde tudo começa. As fêmeas sobem a areia pra desovar, os filhotes nascem e correm pro mar, e alguns, décadas depois, voltam pra essa história recomeçar.

Essa foto fiz na praia, aqui em Maresias. Ver tartaruga marinha da areia da nossa praia é um privilégio que eu nunca trato como normal: cada aparição é um bicho que cruza oceanos passando na nossa porta.

Quando a gente estiver olhando o mar e aparecer uma cabecinha respirando lá fora, agora você vai saber: é alguém da família das seis. E ela nunca vai poder se esconder no casco, então quem protege as tartarugas somos nós: mar limpo, praia escura à noite e respeito.

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