Juruviara
Vireo chivi
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 15
Tem um cantor na copa das árvores que não tira folga: a juruviara canta o dia quase inteiro, repetindo suas frases curtas sem cansar, de manhã até a tarde. Tanta insistência rendeu até apelido: em alguns lugares chamam ela de chorão-da-mata.
O engraçado é que todo mundo ouve e quase ninguém vê. Ela é pequena, verde-oliva por cima e clarinha por baixo, exatamente as cores das folhas com o céu atrás. Lá no alto, entre a folhagem, ela some. É uma voz sem rosto na copa.
Se você conseguir enxergar, vai notar a sobrancelha esbranquiçada que dá a ela uma cara atenta, de quem está sempre prestando atenção. E está mesmo: ela percorre os galhos com método, espiando a parte de baixo das folhas, uma por uma, atrás de inseto e aranha escondidos. É faxina fina, folha por folha.
De vez em quando entra em bandos mistos, juntando-se a passarinhos de outras espécies pra procurar comida em grupo.
O ninho é uma cestinha delicada, pendurada numa forquilha de galhos, tecida com fibras de plantas e teia de aranha, firme e macia ao mesmo tempo.
A da foto encontrei numa caminhada no Bonete, em Ilhabela. A gente pode até tentar achar a dona daquele canto teimoso, seguindo a voz lá pra cima, folha por folha. Mas aviso logo: ela joga difícil.