Polystachya
Polystachya
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 30
As flores desse grupo estão de cabeça pra baixo, e é de propósito.
Quase toda orquídea faz um truque que ninguém repara: enquanto o botão cresce, ele gira meia volta no próprio cabinho. Isso põe o lábio da flor embaixo, virado pro chão, servindo de pista de pouso pro inseto que vai chegar. As desse grupo não giram. O lábio fica em cima, e a flor inteira parece invertida pra quem está acostumado com orquídea de vaso.
São flores pequenas, de poucos milímetros, esverdeadas ou amareladas, curvadas pra baixo em cachinhos. Discretas ao ponto de a gente passar do lado sem ver. O lábio costuma ser mais claro que o resto e tem um calo meio suculento na base. É justamente pelo formato desse calo que os estudiosos separam uma espécie da outra, porque de resto elas são parecidíssimas entre si, e classificar essa turma dá um trabalho danado.
O nome do grupo fala de haste, de muitas hastes, e tem a ver com um costume delas: algumas florescem de novo na mesma haste velha do ano anterior, em vez de fabricar uma nova. Guardam o cabo e reaproveitam.
Vivem em tronco e galho, como quase toda orquídea daqui: em cima da árvore, sem tirar nada dela.
As floradas que eu registrei por aqui apareceram espalhadas, de março a outubro, em ondas. Não é uma janela curta de temporada, é uma chance que volta.
Essa foi aqui em Maresias mesmo. A Déia parou e perguntou o que era aquilo, e eu demorei pra responder, porque de longe parece só um tufo verde grudado no galho. Orquídea, eu disse. Ela não acreditou de primeira.
É meio isso que essas plantas ensinam: nem toda orquídea é aquela flor grande de vitrine. Boa parte do que a nossa mata sustenta é miúdo, esquisito e lindo ao mesmo tempo, e só entrega isso pra quem chega perto.