Xaxim

Dicksonia sellowiana

Grupo
Plantas
Registros no iNaturalist
1764
Fotos no acervo
4

O tronco do xaxim não é madeira. É um bolo de raízes.

Por dentro, o caule verdadeiro é fino, quase um cabo. O que dá grossura ao tronco são milhares de raízes finas que nascem lá em cima, descem coladas por fora e vão se enrolando umas nas outras até formar aquele cilindro peludo e escuro. Ele engorda de fora para dentro, ao contrário de uma árvore.

E é devagar. Muito devagar. Um xaxim leva décadas para chegar à altura de uma pessoa, e alguns dos grandes que ainda estão de pé na mata começaram a crescer antes do seu avô nascer.

Ele não tem flor nem semente. É uma samambaia, e samambaia se espalha por esporos, aquele pó fino que sai por baixo das folhas e viaja no vento.

Foi essa mesma esponja de raízes que quase acabou com ele. Durante décadas o xaxim foi derrubado aos milhares para virar vaso e placa de orquídea, justamente por segurar água como segura. Cada vaso daqueles era uma planta de trinta, quarenta anos, cortada para durar dois. Hoje tirar xaxim da mata é proibido no Brasil.

Fotografei em agosto de 2026, no Camburí. São quatro fotos: a coroa de folhas vista de baixo, a planta inteira no meio da mata e o tronco de perto, todo forrado daquele feltro marrom que são as raízes.

Mil setecentos e sessenta e quatro registros no iNaturalist. Se cruzar com um alto, olhe com calma: você está diante de uma planta mais velha que a maioria das casas em volta.

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