Calendário naturalista de Fevereiro

Fevereiro é quente e abafado, com chuva de fim de tarde. A fruta continua farta e a mata está no ponto mais fechado do ano, com folha nova cobrindo tudo e pouca luz chegando ao chão.

Insetos

Em fevereiro é provável ver a cigarra-verde. A mariposa-esfinge sai ao anoitecer e fica parada no ar diante da flor, bebendo néctar sem pousar. A mosca-das-flores tem cor de metal e passa o dia sobre as flores abertas.

Plantas

A goiabeira, o araçá e a jabuticaba estão com fruto. Nas figueiras a fruta não acaba: elas dão o ano inteiro, e por isso são as árvores que mais alimentam a mata. O ingá está florido, com aquelas flores de fio branco.

Aves

O jacuaçu é grande e desajeitado no voo, mas caminha nos galhos com facilidade e engole a fruta inteira. O beija-flor-de-fronte-violeta toma conta das flores que escolheu e enxota quem chega perto. O sabiá-coleira canta antes de clarear.

Fungos

No calor úmido de fevereiro o cogumelo brota até na folha caída. O cata-vento-roxo abre o chapéu riscado como um guarda-chuva. O líquen-cabelo-de-ouro cresce no galho fino e não é um bicho só: é fungo e alga vivendo grudados, um alimentando o outro.

Aracnídeos

A aranha-de-chão caça à noite sem teia, e os olhos dela devolvem a luz da lanterna. A aranha-de-bromélia mora entre as folhas e pula de uma para outra. As de teia redonda desmancham tudo e refazem quando a teia estraga.

Anfíbios

Em fevereiro é provável ver a perereca-grudenta, que solta um muco pegajoso quando se assusta. A rã-de-corredeira vive na pedra dentro do riacho e, como o barulho da água cobre qualquer canto, ela conversa acenando com a pata.

Répteis

A cobra-d'água caça sapo e peixe dentro do brejo e não é peçonhenta. A cobra-de-duas-cabeças também não tem duas: ela vive enterrada, e a cauda é tão parecida com a cabeça que confunde quem a ataca por trás.

Mamíferos

A capivara passa o dia perto da água e entra nela ao menor susto. Nada bem e fica submersa um bom tempo, deixando de fora só as narinas e os olhos.

Peixes

A tainha anda em cardume e vai do rio ao mar conforme a época. O cangulo tem o corpo achatado e um espinho nas costas que ele levanta e trava dentro da fresta, para não ser puxado de lá.

_orquideas

A orquídea não é parasita: ela se agarra no galho de outra árvore só para ficar mais perto da luz, e tira água e alimento do ar e da chuva que escorre pela casca.

_frutas

A fruta segue farta: baga-de-pomba, guanandi, marinheiro e baguaçu. O ingá começa a florescer, com aquelas flores de fios brancos que parecem pincel, e é ele que vai dar vagem doce mais para a frente.

Crustáceos

Há caranguejo que vive no riacho e faz a vida inteira longe do mar. A craca parece pedra grudada no costão, mas por dentro é bicho de pernas, e são elas que ficam abanando na água para pegar comida.

Cnidários

Em fevereiro é provável ver a caravela-portuguesa na areia. Ela não é uma água-viva: é uma colônia de bichos grudados, cada um com uma tarefa. Mesmo morta e seca, o fio dela ainda queima, então não se toca.

por_do_sol

Fevereiro é de dias quentes. O sol já se põe no começo da serra, mas o arrebol continua muito forte sobre o mar, com o vermelho e o laranja do verão.

_cores

Fevereiro é o mês mais colorido da encosta: manacá-da-serra e jacatirão-açu em branco e lilás, a quaresmeira abrindo o roxo da Quaresma, a orelha-de-onça em rosa e o pau-cigarra no amarelo intenso das pioneiras. Tudo ao mesmo tempo, visto da estrada e de baixo.

Registrado em fevereiro

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