Jaracatiá
Jacaratia spinosa
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Boiçucanga
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Já pensou em fazer doce do tronco de uma árvore? Pois existe, e é tradição antiga: o doce de jaracatiá. Em algumas cidades do interior, o miolo do tronco dessa árvore era ralado e cozido com açúcar até virar um doce parecido com cocada. O tronco. Da árvore. Virando doce de tacho.
Só que essa história tem um lado triste: pra fazer o doce, derrubava-se a árvore inteira, uma árvore que leva anos e anos pra crescer. De tanto tacho, o jaracatiá foi sumindo de muitas regiões, e hoje quem conhece a tradição também aprendeu a plantar e proteger a árvore, pra história não acabar em ponto final.
O jaracatiá é parente do mamoeiro, e a semelhança salta aos olhos: folhas grandes em forma de mão aberta, frutos alongados que amadurecem amarelados, o apelido de mamão-do-mato. A diferença está no tamanho, ele vira uma árvore de verdade, e no tronco cheio de espinhos em formato de cone, uma armadura que o mamoeiro do quintal não tem.
Com o fruto, atenção de gente grande: verde, ele solta um leite que arde, é da família. Maduro, a polpa perfumada faz a alegria do bicharedo. No verão, quando carrega, passa de tudo pelo pé: aves, macacos e, de noite, os morcegos, cada um levando sementes pra longe.
E tem mais uma curiosidade escondida no pé: existe jaracatiá macho e jaracatiá fêmea. São árvores separadas, e só as fêmeas dão os mamõezinhos.
Essa foto fiz em Boiçucanga, aqui em São Sebastião, e fiquei um tempo só olhando aquele tronco espinhudo, pensando em quanta história cabe numa árvore.
Hoje, quando alguém encontra um jaracatiá na mata, o melhor doce é esse: saber que ele ainda está de pé.