Echinanthera undulata
Echinanthera undulata
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 5
O truque dessa cobra é parecer o que ela não é. A Echinanthera undulata é totalmente inofensiva, mas o desenho do corpo, faixas e manchas onduladas em marrom e cinza, lembra à primeira vista o padrão de filhotes de cobras perigosas. O disfarce confunde predador e, infelizmente, confunde gente também.
Na real, o que esse desenho faz de melhor é apagar a cobra do cenário. Deitada no chão da mata, no meio da serapilheira, aquele tapete de folhas secas, ela vira só mais um risco ondulado entre mil.
A vida dela acontece rente ao chão da Mata Atlântica. De dia, fica escondida em frestas, embaixo de tronco caído, no meio do folhiço. No comecinho da noite e no escuro, sai pra caçar as presas pequenas do chão da mata, principalmente sapinhos e rãzinhas. Os olhos, grandes pro tamanho dela, são a pista desse turno da noite.
Quando se sente ameaçada, o plano não é atacar: é confiar na camuflagem e sumir de fininho. Uma cobra do time da discrição.
A fêmea bota os ovos em cantos úmidos e protegidos, e deles saem cobrinhas já com o mesmo desenho ondulado de fábrica.
Essa foto fiz numa trilha aqui em Maresias, e confesso: foi quase sorte. Ver uma dessas é prêmio de quem anda devagar olhando o chão. Se um dia a gente encontrar outra, já sabe a regra de ouro pra toda cobra: olhar, admirar e deixar seguir o caminho dela.