Proarna
Proarna
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 8
As fotos de janeiro de 2021 mostram a casca vazia. É a pele que a ninfa deixou agarrada ao caule quando saiu, rachada nas costas, ainda com o formato inteiro do bicho, as garras cravadas e o oco por dentro. Quem já viu isso pregado num tronco viu o momento seguinte a uma vida inteira embaixo da terra.
E as fotos de fevereiro de 2022 mostram o resultado: a cigarra adulta, pousada numa mão, com o corpo marmorizado de cinza, preto e verde, e as asas transparentes de nervura escura.
A ninfa passou anos enterrada, sugando seiva de raiz, cega, sem asa, com as patas dianteiras adaptadas para cavar. Num dia certo ela sobe, agarra o primeiro apoio firme, e a pele racha nas costas.
O adulto que sai dali é mole e pálido, e leva horas endurecendo e ganhando cor antes de conseguir voar. É o momento mais vulnerável da vida dele, e por isso quase sempre acontece de madrugada.
Depois de tudo isso, o adulto vive poucas semanas: canta, acasala, põe ovo, morre. A conta de tempo é impressionante.
O gênero tem uma espécie confirmada nesta região.
Oito fotos que, juntas, contam uma passagem inteira.