Cigarra-verde

Zammara tympanum

Grupo
Insetos
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
26

Essa cigarra passa anos escondida debaixo da terra para viver poucas semanas no sol.

A vida dela começa num ovo posto num galho. A ninfa que nasce cai no chão, cava e some. Lá embaixo, no escuro, ela se agarra a uma raiz e passa o tempo todo bebendo a seiva da árvore, sem pressa nenhuma. Nas cigarras daqui, esse tempo é de dois a cinco anos.

Um dia ela sobe. Escala um tronco ou uma parede, se prende com as unhas, e a casca das costas se abre no meio. De dentro sai a cigarra adulta, mole e clara, que precisa ficar horas parada até endurecer e ganhar cor. A casca velha continua ali, vazia, inteirinha, com a fenda aberta nas costas, e às vezes fica meses agarrada ao tronco depois que a dona foi embora.

O que ela tem pela frente é pouco: de duas a seis semanas de vida adulta. Tudo que ficou pendente nesses anos de subsolo precisa acontecer nesse intervalo, e por isso a saída é combinada. As cigarras de uma mesma espécie emergem juntas, no calor e nas chuvas do começo do verão, e quem sai fora dessa janela canta para ninguém: a parceira que responderia ou ainda está enterrada, ou já morreu.

O canto tem hora marcada. Pesquisadores acompanharam em 2024 os coros de uma prima do mesmo grupo dela, em Belize, e mediram o que acontece: os machos cantam juntos ao amanhecer e ao entardecer, e cada coro dura cerca de meia hora. A entrada é rápida, menos de dez minutos até todos estarem cantando, e o fim é mais rápido ainda, menos de cinco. Eles cantam no mesmo período, mas cada um no seu ritmo, com intervalos que vão de poucos segundos a mais de vinte.

O barulho não sai da boca. As cigarras cantam com duas membranas na lateral da barriga, que estalam para dentro e para fora centenas de vezes por segundo, do jeito que estala a tampa de uma lata quando a gente aperta com o dedo. A barriga é quase oca e funciona como caixa de som, e por isso um inseto sozinho enche o quintal inteiro. Quem canta é o macho, e ele canta para a fêmea achar onde ele está.

Esta aqui é verde vivo, coberta por um pó claro que parece geada e sai se a gente encostar. O pescoço se alarga dos dois lados como um escudo, o que rendeu o apelido de cigarra-verde, e na cabeça ela tem uma letra M desenhada em preto, que é a marca do grupo a que pertence.

Fotografei em 31 de janeiro e em 9 de fevereiro de 2021, em Maresias, com elas paradas na parede e no tronco em pleno sol, e encontrei outra em 3 de fevereiro de 2023 no Frade, em Ubatuba.

Janeiro e fevereiro são os meses delas por aqui. Quando o coro começar no fim da tarde, conte o tempo: em meia hora ele vai ter ido embora, e quem estava cantando tem semanas de vida para resolver tudo.

Fontes: Chorus Organization in a Neotropical Forest Cicada, sobre a Zammara smaragdula (revista Biology, 2024); Cigarra, Wikipédia, ciclo de dois a cinco anos das espécies tropicais; guias de extensão universitária sobre duração da vida adulta das cigarras, de duas a seis semanas; Zammara tympanum, iNaturalist e GBIF, distribuição e registros.

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