Gravata
Aechmea coelestis
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 20
Quem batizou essa bromélia olhou pra flor dela e não pensou duas vezes: coelestis, que em latim quer dizer "cor do céu". O nome da planta é a cor da flor.
Do meio da roda de folhas ela levanta um cacho que se abre em braços curtos, avermelhados, e de cada braço saem as flores. Cada uma tem três pétalas em forma de espátula, azuis puxando pro roxo, branquinhas na base, e nenhuma delas chega a dois centímetros. Flor pequena, cor grande. Quem deu o nome não estava exagerando.
Por baixo, cada folha é forrada de escaminhas pálidas, tão miúdas que só se veem de perto. Nas bromélias em geral são essas escamas que fazem o serviço de beber: elas seguram a água que escorre e a umidade que fica no ar.
Depois que as flores murcham, o cacho não cai. Fica ali carregado de frutos verdes, e demora. Quem saiu pra coletar essa planta na mata achou fruto ainda verde em fevereiro, em abril, em junho e em julho. Ela leva meia estação amadurecendo o que produziu, sem pressa nenhuma.
Ela mora em cima das árvores sem ser parasita: não tira nada da árvore, só pega carona no galho pra ficar mais perto da luz. Às vezes se agarra em pedra também. E no meio das folhas junta água de chuva, que nas bromélias de tanque como ela vira bebedouro e berço de bicho pequeno, larva de inseto, bicho miúdo, de vez em quando até girino de perereca.
Tem uma coisa que vale pra quase toda bromélia, e essa aqui não é exceção: cada roda de folhas, dessas que a planta arma em volta do próprio centro, floresce uma vez só na vida. Deu as flores, cumpriu o combinado, e vai se despedindo devagar. Mas antes disso já brotaram filhotes na base. A mãe sai, os filhos ficam.
E essa só existe no Brasil, na faixa de Mata Atlântica que desce pelo litoral. Não tem em outro canto do mundo.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias, e foi o Kaian quem viu primeiro: um risco de azul lá no meio do verde.
Uma planta que ganhou o nome da própria cor. E olha que o céu não é fácil de imitar.