Maria-faceira
Syrigma sibilatrix
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Santa Isabel
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 6
Existe uma garça que assobia. As outras garças fazem sons roucos, grasnados de arrepiar, mas a maria-faceira solta um assobio comprido e melancólico que se ouve de longe, atravessando o campo. O povo achou aquilo tão gracioso que deu a ela esse nome de moça: maria-faceira. Faceira é a que gosta de se enfeitar. E ela tem do que se gabar.
Porque é provavelmente a garça mais colorida que você vai ver. O corpo tem tons de ocre, um amarelo-queimado suave, a cabeça e o pescoço são acinzentados, as pernas avermelhadas, e no rosto ela usa uma maquiagem de verdade: a pele nua ao redor do olho é azul, combinando com o bico amarelo de ponta escura. Quando voa, as asas mostram um contraste bonito entre penas claras e escuras.
Outra coisa que a diferencia das primas: a maria-faceira não fica plantada dentro da água esperando peixe. Ela prefere terra firme, campo aberto, pasto, beira de brejo. Anda devagar pela grama, dá uma paradinha brusca, mira, e ataca: gafanhoto graúdo, perereca, lagartixa, peixinho de poça, o que aparecer.
O ninho é uma plataforma de gravetos montada numa árvore ou arbusto isolado no meio do campo. E ela costuma andar aos pares, o casal junto, fiel aos cantos que conhece bem.
Essa foto fiz em Santa Isabel, num campo aberto: ela caminhava sem pressa, elegante, parecendo saber que estava sendo fotografada.
Se um dia um assobio triste e bonito cruzar o campo, procura de onde veio. Pode ser a garça faceira, passeando de maquiagem azul pelo pasto.