Jararacuçu

Bothrops jararacussu

Grupo
Répteis
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Fotografias
15

De todas as serpentes do Brasil, nenhuma injeta tanto veneno numa picada só quanto a jararacuçu. Pode passar de oitocentos miligramas de uma vez, o recorde nacional. É um bicho para se respeitar de longe, e o de longe aqui é a parte que importa.

O nome vem do tupi, em que açu quer dizer grande. Jararaca grande, e é isso mesmo: corpo grosso e musculoso, fêmeas maiores que os machos, e indivíduos excepcionais passando de dois metros. O desenho marrom e oliva com manchas escuras faz ela sumir no folhiço como uma sombra.

Entre o olho e a narina ela tem um buraquinho de cada lado, a fosseta, que é um sensor de calor. Com ele a jararacuçu enxerga o quentinho do corpo dos bichos no escuro total. Um rato passando de noite acende para ela feito uma lanterna.

A caçada é de tocaia. Ela escolhe um canto úmido, muitas vezes perto d'água, e fica imóvel esperando, às vezes por horas. Quando um rato, um sapo ou outro bicho passa no alcance, o bote é um relâmpago. Comendo roedor, ela presta um serviço enorme para a mata e para a gente.

Os filhotes não saem de ovo: a fêmea dá à luz cobrinhas prontas, perfeitinhas, no fim da estação das chuvas.

Estas fotos eu não fiz na mata. Fiz no quintal de casa, e ela entrou por baixo do portão. O susto foi grande, e não adianta fingir que não foi.

No fim deu tudo certo. Consegui espantar de longe, sem encostar nela e sem deixar ela sem saída, e ela foi embora sozinha.

E é esse o combinado que vale guardar. Ela não caça gente e só morde se for pisada ou acuada. Boa parte dos acidentes no Brasil acontece justamente com quem tenta matar ou pegar a cobra, ou seja, no momento exato em que ela deixa de ter para onde ir. Encontrou uma? Para, se afasta, abre o caminho e deixa ela ir embora. Foi o que fiz, e funcionou.

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