Tainha-olho-de-fogo
Mugil curema
- Grupo
- Peixes
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 2
Quer saber um segredo de pescador? Pra diferenciar esse peixe da tainha de verdade, é só procurar a mancha amarela que ele tem do lado da cabeça, ali na placa que cobre as guelras. A tainha comum não tem; ele tem. É o crachá dele, um pingo dourado no meio do prata.
Esse é o parati, que em alguns cantos também chamam de tainha-olho-de-fogo. Prateado, de escama grande que rebrilha quando o cardume vira na luz, com uma curiosidade no olho: uma "pálpebra" de gordura transparente cobrindo parte dele, óculos de nadador que já vem de fábrica.
A vida dele começa com uma viagem. Os ovos são soltos no mar aberto, e os filhotes, ainda minúsculos, vêm derivando com as correntes até encontrar as águas calmas: mangue, lagoa, boca de rio. Ali, no berçário protegido e cheio de comida, crescem depressa antes de voltar pro mar de gente grande.
De comer, ele é dos mais humildes: raspa e chupa o material fininho do fundo, aproveitando microalgas e restinhos. Esse "pastoreio" no sedimento faz dele um faxineiro dos estuários, devolvendo pro sistema o que estava parado no lodo. E é justamente por depender de água limpa e produtiva que ele funciona como termômetro: onde tem parati saudável em quantidade, o estuário vai bem.
Essa foto fiz aqui em Maresias, onde os cardumes dele passam denunciados pelos saltos, porque parati também pula, é de família.
Agora você já pode brincar de detetive na peixaria ou na beira d'água: achou a mancha amarela na bochecha? Então não é tainha. É o parati, o primo do crachá dourado.