Peninha
Chamaecrista flexuosa
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
Repare na pontinha do galho antes de olhar a flor. Perto do fim, o ramo perde a linha reta: a cada folha nova a ponta troca de lado, e aquele pedaço final cresce em ziguezague. Não é vento, não é defeito, é o jeito dela. Tanto que os botânicos usam exatamente esse ziguezague do ápice pra separar essa planta das primas parecidas, na chave de identificação da flora oficial paulista.
A folha faz o outro sinal. Cada folha é repartida em fileiras de lâminas estreitas, uma na frente da outra, dos dois lados de uma haste fina. Numa folha só cabem de vinte e seis a cinquenta e três pares. Enfileiradas assim, elas viram uma pena verde deitada no ramo, e não é coincidência: os livros chamam esse tipo de folha de pinada, e pinada vem de pena mesmo.
Perto da base da folha, antes do primeiro par, existe uma glândula rasa como um prato. Não é machucado nem picada de bicho. É uma torneira de açúcar, e ela fica do lado de fora da flor. As Chamaecrista em geral usam essa gota pra chamar formiga, e formiga que passeia pela planta o dia todo é formiga que atrapalha a vida de quem quer comer folha. Os cientistas ainda discutem se o negócio compensa pra planta. Que as formigas vêm, isso vêm.
A flor é amarela e larga, e o tamanho do pé varia muito: tem planta que não passa de trinta centímetros e tem planta que chega a um metro. O fruto tem final explosivo: as Chamaecrista fecham a semente numa vagem chata que, ao secar, não abre com calma. As duas metades se torcem de repente e atiram as sementes longe. A planta se espalha com um estalo.
Essa fiz aqui em Maresias, e foi o Kaian quem viu primeiro, no meio da areia. Deu sorte e deu azar ao mesmo tempo, porque essa planta dá flor e dá fruto o ano inteiro: quase não tem dia errado pra encontrar.
Procure num campo aberto, numa duna, em qualquer chão de areia com sol forte, uma flor amarela sozinha numa haste fina. Achou? Sobe o olho até a ponta do ramo, bem no fim. Se a ponta anda torta, de um lado pro outro, é ela.