Rhinella
Rhinella
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 5
"Sapo-cururu" é um nome que fala a mesma coisa duas vezes: na língua tupi, cururu já quer dizer sapo. Ou seja, sem perceber, todo mundo que fala "sapo-cururu" está dizendo "sapo-sapo". Os povos indígenas batizaram o bicho pelo som do ronco grave que ele solta na beira da água, e o nome pegou tão fundo que atravessou séculos, e ainda por cima dobrado.
Os cururus são os sapos "clássicos" do Brasil, os do grupo Rhinella: corpo parrudo, pele grossa e toda encaroçada, andar calmo de quem não deve nada a ninguém. Aqui pela nossa região vivem algumas espécies deles, dos sapões de quintal aos mais discretos do meio da mata.
E se algum bicho resolve encarar um deles, o sapo apela pro teatro: os sapos desse grupo enchem o corpo de ar feito um balão e ficam de repente mais altos, mais largos e bem mais difíceis de engolir. Não corre, não briga. Só cresce.
Já aqueles caroços da pele merecem uma defesa: pegar sapo não dá verruga em ninguém, isso é lenda antiga. Os calombos são glândulas da própria pele dele, equipamento de sapo, e não passam pra mão de ninguém.
Essa foto fiz em Cabreúva, num desses encontros de fim de noite em que o sapo olha pra você com a paciência de quem já viu muita gente passar.
E fica a graça pra contar na roda: quando alguém falar "sapo-cururu", está chamando o bicho de sapo duas vezes. Ele, com aquela calma de sempre, nem se dá ao trabalho de corrigir.