Cobra-d’água-comum
Erythrolamprus miliaris
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 20
Pescaria sem vara, sem anzol e sem linha: é o dia a dia da cobra-d'água. Ela passa o dia patrulhando a beira de riachos, brejos e lagoas, nadando com uma facilidade que dá gosto de ver, e o prato principal é peixe e sapo, capturados em investidas rápidas no raso.
De longe ela é discreta: o dorso escuro, do verde-oliva ao preto, some no reflexo da água. Mas por baixo vem a surpresa: a barriga é amarelada, quase alaranjada, com marquinhas escuras feito um tabuleiro de xadrez. Um bicho de dois visuais, um pra se esconder, outro que quase ninguém vê.
Ela é totalmente inofensiva pra gente. Se alguém chega perto demais, o plano dela é simples: fugir pra água. Se não der, solta um cheiro ruim de um almíscar, ou incha o corpo pra parecer maior. Tudo blefe, nada de veneno perigoso.
Na época de reprodução, a fêmea bota ovos, em média uns dez, escondidos em cantos protegidos, e deles saem cobrinhas já prontas pra vida na beira d'água.
Essa foto fiz num riachinho no caminho da praia, aqui em Maresias. Ela estava exatamente onde o nome promete: com metade do corpo na água, esperando o almoço passar nadando.
Quando você cruzar uma pontezinha sobre um córrego, espia a beirada. Uma sombra comprida deslizando na água rasa pode ser ela, trabalhando na pescaria.