Vriesea simplex
Vriesea simplex
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Boiçucanga
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Essa bromélia foi desenhada antes de ser guardada, e durante quase duzentos anos o desenho foi tudo o que sobrou dela. Quem desenhou foi um frade naturalista que andou pelas matas do Rio de Janeiro no fim do século 18 anotando planta por planta. Em 1831, na prancha 130 do livro dele, essa aqui apareceu com um nome que era quase um apelido: simples.
Simples por causa da flor. Enquanto parente dela levanta uma florada cheia de braços saindo pros lados, essa manda uma espiga só, reta pra cima, e acabou. As flores em si são discretas. Quem chama atenção são as folhas coloridas encaixadas na espiga, uma sobre a outra, feito escamas.
Só que o frade guardou o desenho e não guardou a planta. Nem uma folha seca, nem um pedaço de galho, nada. O desenho virou a referência oficial da espécie, porque era tudo o que havia. E aí veio o problema: o desenho, mais o textinho curto que ele escreveu ao lado, não bastavam pra decidir com certeza de qual planta ele estava falando. Ficou esse nó por gerações de botânico.
O nó só foi desfeito em 2018, e do único jeito possível: três pesquisadores voltaram à mata, colheram uma planta viva e guardaram ela num herbário pra servir de referência ao lado do desenho antigo. O desenho continua valendo, só que agora tem uma planta de verdade junto dele, tirando a dúvida. Um desenho de 1831 finalmente ganhou uma planta pra chamar de sua.
Do jeito de viver dela ainda se sabe pouco. O que dá pra dizer com segurança é o que vale pro grupo a que ela pertence, as bromélias de tanque: as folhas nascem todas do mesmo ponto e se fecham em taça, a chuva fica presa lá no meio, e nessa água mora bicho miúdo que ninguém vê sem chegar perto.
Essa eu fiz numa saída em Boiçucanga, aqui do lado, no fim de fevereiro.
Tem um site onde gente do mundo inteiro registra o que encontra na natureza. Dessa bromélia existem 97 registros lá. Noventa e sete, no planeta todo, e um deles é o meu. Não é que ela seja impossível de achar. É que quase ninguém para pra reparar.