Marmelo-da-praia
Tocoyena bullata
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 11
Passa o dedo na folha dessa planta e você sente bolhas. A superfície é enrugada, cheia de altos e baixos, dura feito couro e coberta de pelo dos dois lados. O nome bullata, que ela carrega na ficha, saiu daí: quer dizer justamente cheia de bolhas.
A flor é um canudo. Um canudo comprido de verdade, cor de creme, que nasce na ponta dos ramos. Nas plantas desse grupo o tubo da flor pode ir de três até trinta e cinco centímetros, fica verde enquanto está fechado, abre branco e depois vai amarelando. E, no grupo todo, quem costuma polinizar são as mariposas grandes que voam paradas no ar, as únicas com língua comprida o bastante para alcançar o fundo do canudo.
A flor é um cofre estreito, e a chave é a língua de uma mariposa.
Depois vem o fruto: redondo, de casca grossa, cheio de sementes. Na lista oficial da flora brasileira o nome popular dela é genipapo-bravo, e faz sentido: o jenipapo de verdade é parente próximo, da mesma família. Aqui na beira do mar chamam ela de marmelo-da-praia.
Muita gente acha que é planta de mar, e não é. Na ficha oficial da espécie, que hoje entra pelo nome Tocoyena formosa, ela aparece em vinte e três estados do Brasil, do Amapá ao Paraná, e em lugares bem diferentes uns dos outros: no cerrado, na caatinga, no campo de pedra lá do alto das serras, na mata que acompanha o rio e nas matas que perdem a folha na época seca. A restinga, essa mata baixa e dura que cresce direto na areia logo atrás da praia, é só mais um dos lugares onde ela dá conta de viver. Um arbusto que se vira em terreno bom e em terreno ruim.
Essa apareceu no caminho da praia, aqui em Maresias, bem ali na restinga.
A gente passou por essa planta um monte de vezes sem ver. Depois que você aprende a reconhecer a folha só pelo tato, não desaprende mais: é a única por ali que parece papel amassado que alguém tentou alisar e desistiu no meio.