Orelha-de-onça
Pleroma heteromallum
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 10
O galho dessa planta não é redondo. É quadrado, com quatro quinas e um sulco correndo por cada lado, e todo coberto de pelo. Dá para reconhecer de olho fechado, só passando a mão.
A folha entrega o resto. É grande, aveludada, de um verde com brilho prateado, e tem cinco nervuras marcadas que saem do cabo e correm até a ponta, como listras desenhadas de propósito. Não é à toa que o apelido dela por aqui é orelha-de-onça.
As flores são roxas, de cinco pétalas, e é nelas que aparece o truque da família inteira. Em quase todas as melastomatáceas, e a quaresmeira é uma delas, a antera (o saquinho que guarda o pólen) não se abre rasgando ao meio. Ela tem um furinho na ponta, igualzinho a um saleiro. O pó só cai se uma abelha se agarrar na flor e vibrar o corpo na frequência certa. Abelha que não sabe vibrar chega perto, tenta, e vai embora de mãos vazias.
A flor só entrega o pólen para quem sabe a senha.
É uma planta brasileira das que não fazem questão de terra fofa: cresce em cima de pedra, em laje de rocha exposta e em beira de mata, do Nordeste até São Paulo. Alta ela não fica, é um arbusto de mais ou menos dois metros.
Essa eu fotografei em Queluz, no interior de São Paulo.
E repare onde ela escolheu morar. Folha de veludo, flor roxa e galho quadrado, tudo isso brotando de uma laje de pedra nua, onde quase nada mais pega. A planta mais bem vestida do pior terreno da encosta.