Figueira-trepadeira
Ficus pumila
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 13
Essa planta fabrica a própria cola. Nos ramos que sobem pelo muro nascem raízes curtas, e delas escorre um leite transparente que endurece quando seca. Quando você percebe, a planta está grudada na parede e não sai mais.
Repare que ela parece duas plantas diferentes ao mesmo tempo. Enquanto é nova, cola folha por folha no muro, todas pequenas, finas e deitadas, feito telhas verdes. Depois que cresce, alguns ramos se soltam da parede e ficam de fora, e nesses ramos as folhas nascem maiores e mais grossas. Só os ramos soltos, os que pegam sol de verdade, é que dão figo.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias, num muro que o fícus tomou inteiro, de baixo até em cima.
Agora o segredo do figo. Figo não é bem uma fruta: é um saco fechado, com as flores todas viradas para dentro. Para virar semente, precisa entrar ali uma vespa minúscula, e cada tipo de figueira tem a sua própria vespa, que não serve para nenhuma outra figueira do mundo. A vespa dessa aqui se chama Wiebesia pumilae e mora do outro lado do planeta.
Porque a figueira-trepadeira não é daqui. Ela veio do leste da Ásia, do sul da China, do Japão, da Coreia e do Vietnã, trazida para cobrir parede e enfeitar fachada. No Brasil ela aparece só onde tem gente, muro e quintal, e, sem a vespa dela por perto, quase nunca faz semente. Anda pelos próprios ramos mesmo: encostou, criou raiz, subiu.
Encosta a mão num muro desses e procura os dois tipos de folha, as pequenas coladas e as grandes soltas. É a mesma planta em duas idades, vivendo uma em cima da outra.