Grandiúva-d'Anta
Psychotria nuda
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 4
A anta entrou no nome dessa planta por mérito próprio: grandiúva-d'anta. Quando as frutinhas amadurecem e caem no chão da mata, é a anta que passa e come as caídas, como quem recolhe o que a passarada deixou cair da mesa.
E que frutinhas: azuis puxando pro roxo, brilhando no escuro do sub-bosque. Não é à toa que ela também é chamada de araçá-azul. No verão, quando carrega, vira ponto de encontro: saíras, tiês e sabiás descem pra comer, e cada um sai levando sementes pra plantar floresta em outro canto.
As flores são outro espetáculo em miniatura: amarelas, em formato de tubinho, com um detalhe vermelho na base. Formato de tubinho, néctar no fundo: isso é convite pra beija-flor. Eles visitam junto com as abelhas, e é assim que o pólen viaja de flor em flor.
Ela é planta de sombra, dessas que vivem embaixo das árvores grandes, na luz coada que atravessa as copas. Cresce devagar, sem pressa, com folhas largas pra aproveitar cada fiapo de sol que desce até o chão.
Essa foto fiz na trilha da cachoeira, aqui em Maresias, onde ela aparece nos cantos mais úmidos e sombreados.
O truque pra achar é andar devagar e caçar um brilho azul na penumbra. E se achar, espia o chão também. Pode ter passado uma anta por ali.