Perereca-de-focinho-do-Rio-Mutum
Ololygon argyreornata
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 6
Aponta a lanterna pra beira da poça e um dos gravetos pisca pra você. É assim que essa perereca costuma ser descoberta: fininha, de focinho pontudo, bege e marrom-oliva com riscos que imitam galho e folha seca, sentada ereta em cima de um raminho. Parada, é um graveto. Só o brilho do olho entrega.
Ela é pequena e vive escondida a maior parte do ano. É na época do canto que aparece: nas noites úmidas, os machos se empoleiram bem baixinho, quase encostando na água de brejos e poças, e disputam as melhores moitas e touceiras pra cantar.
A desova é feita ali mesmo: os ovos ficam grudados nas plantinhas dentro da água, e os girinos crescem naquela água calma e rasa até o dia da metamorfose.
É mais uma das pererecas que só existem no Brasil, filha da Mata Atlântica, das baixadas até as encostas. E tem um mérito: aguenta viver em capoeira e em áreas mexidas pelo homem, desde que sobre água limpa e um pouco de verde em volta.
Essa foto fiz aqui em Maresias, numa noite de lanterna na mão, quando um "graveto" resolveu mudar de posição.
Fica o desafio pra próxima caminhada noturna: na beira da poça, olha cada raminho com atenção. Um deles pode estar olhando de volta.