Caravelas-portuguesas

Physalia

Grupo
Cnidários
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Fotografias
4

Uma bolha azul do tamanho de uma mão, arrastando uma linha de pesca invisível mais comprida que um ônibus. É isso que a caravela é: o que a gente vê boiando é só a pontinha do bicho. Debaixo dela descem os tentáculos, que podem se esticar por muitos metros mar adentro, uma cortina carregada de ferrão. Peixinho que esbarra ali fica paralisado e vira comida.

E o nome? Vem dos navios antigos mesmo. Os marinheiros olhavam aquela bexiga cheia de gás boiando na superfície, com a crista erguida feito vela, e lembravam das caravelas de guerra de antigamente. O apelido pegou e nunca mais largou.

Só que essa caravela não tem capitão. Ela não nada, não tem leme, não escolhe caminho: vive à deriva, entregue ao vento e às correntes. E nem é um bicho só: é um time de bichinhos grudados, cada um com sua função, um segura o ar que faz a bolha boiar, outros pescam, outros digerem, todos funcionando juntos como um só.

Por aqui, elas costumam aparecer quando o vento sopra do mar por dias seguidos. Aí a praia amanhece pontilhada dessas bolhas azuis e roxas na areia. E vale repetir o aviso que todo caiçara conhece: mesmo encalhada e murcha, a caravela ainda queima. Muito.

Essa foto fiz aqui em Maresias, de uma que o mar deixou na areia depois de um vendaval.

Então, se a gente encontrar uma dessas, admira só com os olhos, de longe. Bonita como um navio, armada como um também.

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