Gorgulho-diamante

Entimus imperialis

Grupo
Insetos · besouro
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Endêmica do Brasil
Sim
Fotografias
11

Esse besouro virou joia de verdade. Em 1826, dois naturalistas ingleses, Kirby e Spence, escreveram no livro que fundou o estudo dos insetos em inglês que no Brasil as moças faziam "colares esplêndidos" com besouros-diamante. E quando precisaram de um exemplo para a cor dourada na escala de cores deles, entre a prata e o bronze, escolheram ele. Cinquenta anos depois, em Londres, uma condessa ganhou uma tiara, um colar e um par de brincos feitos com quarenta e seis gorgulhos brasileiros de uma espécie prima dele, montados em ouro. A joia existe até hoje, no Museu Britânico.

O nome dele já dizia isso antes. Em 1771, um ano antes de embarcar com o capitão Cook para dar a volta ao mundo, o naturalista Johann Reinhold Forster descreveu esse besouro em Londres e o chamou de imperialis, o imperial. O nome popular veio depois e pegou em todo lugar: besouro-diamante, gorgulho-diamante, o diamante do Brasil.

De perto, dá para entender por quê. O corpo é preto, mas as costas têm fileiras de covinhas, e cada covinha está forrada de escamas que brilham verde, azul e dourado conforme a luz bate, como se fossem pedras cravadas. Ele tem uns três centímetros e um focinho curto na frente, que é a marca dos gorgulhos, a família dos besouros de tromba. As pernas também brilham, cobertas de pelinhos verdes.

A ciência foi olhar essas escamas no microscópio e achou uma coincidência bonita: dentro delas não existe tinta nenhuma. A cor vem de cristais minúsculos de quitina, a mesma matéria da casca do inseto, arrumados numa estrutura que os físicos chamam de "tipo diamante", igual à do diamante de verdade. A luz entra, reflete nessa arrumação e sai verde e dourada. Por isso ele não desbota: não tem pigmento para desbotar. O que encontrei morto em Maresias continuava brilhando como se estivesse vivo.

E esse brilho tem dois empregos. De perto, cada escama reflete a luz numa direção só, e o besouro cintila para quem está ao lado dele, que é como os dois sexos se reconhecem. De longe, as covinhas espalham os reflexos em todas as direções, e a soma vira um verde parado, da cor das folhas. O besouro mais brilhante da mata é, de longe, um besouro camuflado. Os pesquisadores chamaram isso de "camuflagem brilhante".

Ele só existe no Brasil, na Mata Atlântica. Anda devagar pelas folhas e troncos, e os gorgulhos desse grupo passam a fase de larva embaixo da terra, comendo raiz. O primeiro que encontrei estava vivo, andando por uma pedra na praia, aqui em Maresias, em fevereiro de 2022, e brilhava no sol como se fosse de metal. Um mês depois achei outro já morto, e fotografei as costas dele de perto: cada covinha uma pedra, cada pedra de uma cor.

Já fotografei mais de mil e setecentas espécies, e esse é, sem dúvida, o inseto mais lindo que já vi. Uma joia viva, andando pela praia.

Fontes: Kirby e Spence, An Introduction to Entomology, 1826, volume 1 (os colares do Brasil), volume 3 (as escamas) e volume 4 (a cor dourada), Wilts e colegas, 2012, "Brilliant camouflage", os cristais tipo diamante, a joia de Lady Granville no Museu Britânico, a descrição de Forster, 1771, no GBIF, Johann Reinhold Forster na Wikipédia, a espécie na Wikipédia e a minha observação no iNaturalist.

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