Caraguatá-do-campo
Bromelia antiacantha
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 16
Tem gente que planta essa bromélia em fileira pra usar de cerca. E funciona: as folhas são compridas, duras, e as bordas inteiras vêm armadas de espinho. Boi não atravessa, cachorro não atravessa, gente também não. Uma cerca que cresce sozinha e ainda dá flor.
Ela também foge do padrão das outras bromélias dessa nossa história: não vive pendurada em árvore, fica no chão mesmo. Terreno arenoso, borda de mata, restinga batida de sol, e ali ela vai formando touceiras fechadas que passam de um metro de altura.
Quando chega a hora de florir, o meio da planta se acende. As folhas do centro costumam ganhar cor viva, puxando pro vermelho, e dá pra ver de longe que aquela touceira está no ponto.
Depois vem o fruto, e aqui está a parte boa: dá pra comer. Só que ele tem um jeito. Cru, é bem ácido e pinica a língua, do mesmo jeito que abacaxi verde pinica, porque tem umas substâncias que ardem na boca. Por isso quase todo mundo prefere levar o fruto ao fogo antes, assado ou cozido. Assado com mel ou açúcar, ele desmancha numa calda. Os povos indígenas cozinhavam esse fruto pra fazer xarope de tosse, e até hoje tem gente que faz igual.
Das folhas sai fibra, e da fibra sai corda e tapete. Repare no tanto de coisa que uma planta só resolve: muro, remédio, comida e barbante.
E por baixo daquele emaranhado de espinhos mora uma bicharada inteira. Lagarto, roedor, bicho miúdo, todo mundo que precisa de um esconderijo onde nenhum predador queira enfiar a cara. O espinho que afasta a gente é o guarda-costas deles.
Essa apareceu no caminho da praia, aqui em Maresias.
O vermelho no meio da touceira é o aviso de que ela está florindo, e dá pra enxergar isso de longe. Enxergar, sim. Encostar é que não.