Pelona-de-estuário
Pellona harroweri
- Grupo
- Peixes
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 2
Passa a mão na barriga dessa sardinha e você encontra uma serrinha. As escamas de baixo formam uma quilha dentada, como uma fileira de dentinhos de serrote, marca registrada da família dela. É a pelona-de-estuário, um peixinho prateado de uns doze centímetros que quase ninguém conhece pelo nome, mas que o mar inteiro conhece pelo sabor.
Porque é isso que ela é na prática: comida de todo mundo. Robalo, xaréu, ave marinha, todo predador da costa caça pelona. Ela come os bichinhos minúsculos que boiam na água e vira, ela mesma, o almoço dos grandes. Um elo pequeno segurando uma corrente enorme.
A vida dela acontece pertinho da gente: cardumes patrulhando a água rasa das praias e a boca dos rios, quase nunca descendo além de uns quinze metros de profundidade. Água salgada, água mais doce de estuário, ela se vira bem nas duas. E depois de uma ressaca ou de um temporal, os cardumes chegam mais perto ainda da areia.
O rabo é bem aberto em forquilha, feito pra arrancadas e cavadas de direção repentinas, o jeito clássico de sardinha escapar por um triz.
Essa foto fiz aqui em Maresias, num desses encontros de raso que duram um piscar.
Peixinho discreto, nome esquisito, e mesmo assim: sem ela e suas primas, meio mar passaria fome. Tem grandeza que vem em tamanho pequeno.