Calendário naturalista de Março

Março fecha o verão. A chuva começa a espaçar, mas a mata ainda guarda toda a umidade, e é nessa passagem que o cogumelo aparece em quantidade e a borboleta cruza a trilha em pleno sol.

Insetos

A borboleta-azul cruza a trilha e some no mesmo instante. O azul dela não é tinta: é a luz batendo na escama da asa, e por isso acende e apaga conforme ela vira. A borboleta-gema é amarela e voa rápido, quase sempre em linha reta.

Plantas

A pitanga está com fruto, e a graviola-silvestre também. A catleia-cernua é uma orquídea pequena e floresce agarrada no galho de outra árvore, sem tirar nada dela.

Aves

O gavião-carijó fica à vista, no galho seco ou no poste, e grita alto quando alguém passa. O pica-pau-anão é o menor pica-pau daqui e bate no galho fino, não no tronco grosso. O gaturamo come erva-de-passarinho e vai plantando ela pela mata.

Fungos

No fim do verão a mata ainda está encharcada e o cogumelo continua brotando. A orelha-de-pau é dura, fica anos no mesmo tronco e come a madeira por dentro. O falo-fedido nasce de um ovo no chão, cresce em poucas horas e fede de propósito, para chamar a mosca que vai espalhar o esporo dele.

Aracnídeos

A aranha-de-teia-dourada fia seda amarela, forte a ponto de segurar passarinho pequeno. A aranha-de-prata desenha um zigue-zague branco no meio da teia. E a micratena tem espinhos nas costas e parece mais casca de árvore do que bicho.

Anfíbios

A rã-de-pedra vive no paredão molhado da cachoeira, e o girino dela cresce ali mesmo, no fio de água que escorre pela rocha. A perereca-castanhola tem a pele rugosa e desaparece contra o tronco.

Répteis

O calango toma sol na pedra quente e mergulha na fresta assim que a sombra chega. A caninana é grande, sobe em árvore e não é peçonhenta, mas quando se assusta infla o pescoço para parecer maior do que é.

Mamíferos

O morcego-da-cara-branca come fruta, carrega o que pegou para um poleiro longe da árvore e come pendurado. O que cai da boca dele nasce ali. É assim que muita árvore aparece longe de onde a semente se formou.

Peixes

O peixe-porco nada quase de pé, devagar, e belisca com a boca pequena o que encontra grudado na pedra.

_orquideas

A catleia-cernua floresce agarrada no galho, e a orquídea-da-praia cresce na restinga, aguentando sol forte e vento salgado que quase nenhuma outra suporta.

_frutas

A embaúba-branca dá fruto e flor ao mesmo tempo. Ela é a primeira a crescer quando abre uma clareira, cresce depressa e vira comida de tucano, jacu e sagui. O maracujá-de-restinga floresce agora.

Crustáceos

O caranguejo-verde corre de lado pelo costão e some na fresta. Ele passa boa parte do tempo fora d'água, mas precisa voltar para molhar as brânquias.

Cnidários

A água-viva-lua é quase transparente, e os quatro anéis que se veem no meio do corpo são o estômago dela. A caravela-portuguesa aparece na areia depois do vento sul e queima mesmo seca.

por_do_sol

Em março o sol entra mais para dentro da serra, e o céu começa a mudar: o ar vai secando depois do verão, e o horizonte ganha cores mais definidas.

_cores

Em março a quaresmeira e o pau-cigarra ainda pintam a serra de roxo e amarelo, o manacá e a orelha-de-onça seguem, e a paineira-rosa abre as primeiras flores, uma árvore aqui, outra ali.

Registrado em março

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