Carrapateiro
Daptrius chimachima
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 36
Esse gavião trabalha de barbeiro de capivara. O carrapateiro sobe nas costas de capivaras, bois e cavalos e fica lá, catando carrapato um por um. O bicho grande deixa, quietinho, porque sabe que está ganhando: coceira a menos pra ele, almoço de graça pro gavião. Foi desse costume que veio o nome, carrapateiro.
E olha que ele é da família dos falcões, os campeões de velocidade do céu. Mas o carrapateiro escolheu outro caminho: em vez de caçar em voos espetaculares, ele prefere andar. Isso mesmo: caminha pelo chão do pasto procurando comida, coisa que quase nenhuma ave de rapina faz.
De cara clara, quase creme, com as costas marrons e as pernas amarelas, ele é fácil de ver: pousado em poste, andando atrás do gado, parado na beira da estrada. Onde o homem mexe na terra, ele aparece pra conferir o que sobrou.
O segredo do sucesso dele é não fazer doce com comida. Come carrapato, claro, mas também inseto, lagarta, cupim, rã, lagarto, ovo, fruta e até bicho morto que encontra por aí. Enquanto muita ave sofre quando a paisagem muda, o carrapateiro dá de ombros e almoça o que tiver.
O casal faz um ninho de gravetos no alto de uma árvore e defende a área voando em círculos, gritando um grito áspero, meio rouco, que não tem nada de melodioso. Beleza de canto não é o forte. O forte é se virar.
Essa foto fiz na rua de casa. Ele estava pousado bem à vista, do jeito folgado de sempre, sem pressa nenhuma de ir embora.
Quando você vir uma capivara com um passageiro nas costas, já sabe: não é carona, é dia de barbeiro.