Ferro-velho
Euphonia pectoralis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 23
Como é que um dos pássaros mais bonitos da mata ganhou o nome de ferro-velho? Pelo canto. Ele solta notas fortes, metálicas, meio roucas, um som de ferro raspando em ferro. Dizem que foi daí que o povo tirou o apelido. Em outros lugares chamaram ele de serrador e até de gaita: todo mundo ouvindo o mesmo passarinho e lembrando de uma ferramenta diferente.
Mas ninguém que vê o ferro-velho de perto acha que ele combina com sucata. O macho tem as costas azul-escuras brilhantes, quase pretas, uma testa amarela e a barriga castanha, aveludada. A fêmea é verde-oliva, discreta, com o peito riscadinho. Parece que os dois vieram de lojas diferentes, mas andam sempre juntos, em casal ou em pequenos grupos de família.
O prato preferido dele é a frutinha da erva-de-passarinho, aquela planta que cresce grudada nos galhos das árvores. E aqui entra o truque: ele engole a frutinha inteira e depois devolve a semente, que fica grudada no galho. Da semente nasce uma erva-de-passarinho nova. Ou seja: a planta usa o pássaro de entregador, e paga o frete em fruta.
Na hora de criar filhotes, o casal constrói um ninho em formato de bola, com a entrada pela lateral, bem escondido entre fibras e musgos. A fêmea põe os ovos ali dentro e choca por umas duas semanas, protegida nessa casinha fechada que quase ninguém acha.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias. Ele apareceu num galho carregado de frutinhas, fez o serviço de sempre e seguiu adiante.
Da próxima vez que ouvir um barulhinho metálico vindo da copa, olha pra cima com atenção: pode ser o ferro-velho, o pássaro de nome enferrujado e roupa de festa.