Macuco

Tinamus solitarius

Grupo
Aves
Onde foi registrada
São Paulo
Status de conservação
Quase ameaçada (NT)
Endêmica do Brasil
Sim
Endemismo regional
Sim
Fotografias
2

Na casa do macuco, quem choca os ovos é o pai. A mãe bota e segue a vida; ele fica ali, no chão da mata, sentado sobre os ovos por quase três semanas, às vezes cuidando de ovos de mais de uma fêmea ao mesmo tempo. Depois que os filhotes nascem, é ele quem cria.

E que ovos: azul-esverdeados, lisos e tão brilhantes que parecem de porcelana pintada. Ficam num ninho simples, no chão, entre as raízes de uma árvore grande ou ao lado de um tronco caído.

O dono desses ovos é uma ave grandona e arredondada, feita pra vida no chão. A plumagem marrom, toda riscadinha, some no meio das folhas secas. É tão bem camuflado e tão quieto que quase ninguém vê um macuco: o que se ouve é o canto, notas graves, fundas, meio melancólicas, ecoando pela mata no amanhecer e no fim da tarde.

Enquanto choca, ele confia tanto na camuflagem que fica imóvel mesmo com gente chegando perto. Os mateiros antigos contavam que dava pra apanhar um macuco no ninho com as mãos. Coragem de pai.

Ele só existe na Mata Atlântica e precisa de mata grande e bem cuidada. A caça e o desmatamento derrubaram muito as populações, e hoje ele é considerado quase ameaçado. Onde o macuco canta, a floresta ainda está inteira.

Eu estava sozinho na mata, aqui em São Sebastião, quando esse cruzou meu caminho, andando devagar, catando frutinhas caídas no chão. Fiquei parado olhando, quase sem respirar.

Agora me diz: quantos bichos você conhece em que o pai faz tudo sozinho? Pois lá no fundo da mata, quietinho sobre os ovos de porcelana, tem um macuco fazendo exatamente isso agora.

Macuco (Tinamus solitarius), aves, fotografado em São Sebastião Macuco (Tinamus solitarius), aves, fotografado em São Sebastião

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