Caravela-portuguesa-do-Atlântico
Physalia physalis
- Grupo
- Cnidários
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Centro
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
A caravela-portuguesa parece uma água-viva, mas não é. E tem mais: ela nem é um bicho só. É uma equipe inteira de bichinhos grudados uns nos outros, trabalhando juntos como se fossem um corpo. Um faz o papel de barquinho, outros pescam, outros digerem a comida, outros cuidam dos filhotes. Sozinho, nenhum deles sobrevive. Juntos, viram esse veleiro azul e roxo que cruza o mar.
O barquinho é uma bexiga cheia de gás, translúcida, com uma crista em cima que funciona como vela. Ela não sabe nadar: quem decide pra onde ela vai é o vento e a correnteza. Por isso, depois de dias de vento soprando do mar, elas aparecem encalhadas na areia, às vezes um monte de uma vez.
Debaixo do barquinho ficam os tentáculos, compridos, carregados de ferrão. É ali que mora o perigo: a queimadura dela dói muito. E atenção, isso é importante: mesmo seca na areia, parecendo um saquinho murcho, ela ainda queima quem encosta.
Essa foto fiz na praia do Centro de São Sebastião, uma caravela encalhada brilhando no sol. O Kaian já sabe a regra: caravela a gente admira agachado, de mãos pra trás.
Mas nem todo mundo tem medo dela. As tartarugas marinhas comem caravela numa boa. E existe uma lesminha azul do mar, pequenininha, que faz algo de outro mundo: ela come os tentáculos da caravela, guarda os ferrões dentro do próprio corpo sem disparar nenhum, e depois usa esses ferrões roubados pra se defender. A ladra fica armada com as armas da vítima.
No fim, esse bicho que não é um bicho, esse barco que ninguém pilota, é um dos seres mais estranhos que o mar manda pra nossa areia. Bonito de longe. E é de longe mesmo que a gente fica.