Juruva
Baryphthengus ruficapillus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 5
A juruva usa a cauda como pêndulo de relógio. Ela fica pousada bem quieta na sombra da mata e, de repente, começa a balançar a cauda comprida de um lado pro outro, tique, taque, igualzinho a um relógio de parede antigo. Os cientistas acham que é um recado: eu já te vi, não adianta me atacar de surpresa.
E que cauda: comprida, com duas penas maiores que terminam numa espécie de raquete na ponta. Junta isso com o corpo verde, o peito canela e uma máscara preta nos olhos, e você tem um dos pássaros mais bonitos e mais escondidos da nossa mata.
A casa dela também é diferente de tudo: a juruva não faz ninho de gravetos. Ela cava um túnel comprido no barranco, com o quarto lá no fundo, escuro e protegido, onde ficam os ovos. Um pássaro que mora dentro da terra.
Esse encontro foi dos especiais. Eu estava sozinho na mata, aqui em Maresias, quando ela apareceu na minha frente, parada na sombra. Fiquei um tempão sem me mexer, só olhando ela balançar a cauda. Nesses momentos eu sinto que faço parte da mata de verdade.
Ela é difícil de ver, mas fácil de ouvir de manhã cedo: um uh-uh-uh grave, meio abafado, que parece vir de todo lado ao mesmo tempo. Se um dia a gente ouvir esse som na trilha, para e espera. Pode ser o relógio da mata marcando a hora.