Algodoeiro-da-praia
Hibiscus tiliaceus
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 13
De manhã a flor é amarela. No fim da tarde, a mesma flor está vermelha, e cai. Ela abre bem amarela, com um miolo vermelho escuro no fundo, vai escurecendo para laranja ao longo do dia e termina vermelha antes de se soltar do galho. Por isso a árvore parece ter flor de duas cores ao mesmo tempo: as que amanheceram hoje e as que já estão no fim do turno.
Essa foto foi no caminho da praia, aqui em Maresias. A Déia perguntou por que umas eram amarelas e outras vermelhas no mesmo pé, e a resposta é essa: é questão de hora.
A semente dessas árvores de praia sabe navegar. Dentro da casca grossa, que não deixa a água entrar, fica presa uma bolha de ar, e é essa bolha que faz a semente boiar. Pesquisadores deixaram sementes assim jogadas na água do mar por mais de três meses e elas continuaram vivas. É por isso que árvore desse tipo aparece em costa quente do mundo inteiro: a semente pega carona na correnteza e desembarca onde der pé.
É árvore de beira: praia, boca de rio, borda de mangue. Aguenta sal e aguenta terra encharcada. Os galhos vão se arqueando com o tempo, se deitam para o lado e formam aqueles emaranhados baixos logo atrás da areia.
Gente do mundo todo achou serventia nela. A fibra tirada do caule vira corda. A casca já foi usada como rolha, para tapar fresta de barco. E a madeira serviu para fazer embarcação e para entalhar.
Tem uma história de nome no meio disso. Essas árvores de praia são tão parecidas em todo canto que os botânicos levaram décadas para separar quem é quem. A que corre o mundo, aquela dos outros mares, no Brasil só existe plantada por gente, em jardim e em calçada. A que cresce sozinha nos nossos mangues e logo atrás das nossas praias foi tratada durante muito tempo como uma simples variedade dela, e hoje é reconhecida como espécie por si só, com nome próprio na flora brasileira. De nome popular ela tem dois: algodoeiro-da-praia e mangue-da-praia.
Aquela flor vermelha largada na areia embaixo da árvore não nasceu vermelha. Ela acordou amarela, passou o dia inteiro trabalhando e trocou de cor antes de se soltar. Um dia de vida inteiro, contado em cor.