Caneleiro-de-Chapéu-Preto
Pachyramphus validus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Santa Isabel
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 9
Lá no alto da árvore, pendurada na ponta de um galho, tem uma trouxa grande de gravetos e fibras que parece um enfeite esquecido. Não é enfeite: é a casa do caneleiro-de-chapéu-preto. Ele constrói um ninho em forma de bolsa, fechado e suspenso, balançando no ar. Os ovos e os filhotes ficam escondidos ali dentro, invisíveis pra quem olha de fora e fora do alcance de quase todo mundo.
O chapéu preto do nome é do macho: ele é acinzentado com a cabeça escura e um topetinho, como quem saiu de boina. A fêmea vai de outra cor, castanho-ocre por cima e mais clarinha por baixo. Quando os dois aparecem juntos, parecem de espécies diferentes, mas é só o casal.
O jeito dele é de calma. Nada de correria: percorre devagar a parte média e alta das árvores, quase sempre em casal ou em família, catando insetos e frutinhas pequenas com aquele bico curto e forte.
De vez em quando, pega carona em bando misto, juntando-se a passarinhos de outras espécies que atravessam a mata em caravana. Enquanto a turma se move e espanta os bichinhos das folhas, ele aproveita o rebuliço pra achar comida.
A voz combina com o dono: suave, constante, sem alarde. Muitas vezes é ela que denuncia que ele está ali, meio escondido na folhagem.
Encontrei esse em Santa Isabel, circulando tranquilo pelo alto das árvores.
Vale o desafio: em vez de procurar o pássaro, procura a bolsa pendurada na ponta do galho. Achou a casa, é questão de tempo até o morador de chapéu aparecer.