Ripsális
Rhipsalis pachyptera
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Paulo
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 4
Um cacto que fugiu do deserto. Esse aí da foto é um cacto de verdade, da mesma família dos mandacarus e das palmas, só que ele resolveu viver no lugar mais improvável possível: pendurado nas árvores, no meio da neblina da Mata Atlântica.
Em vez de braços espinhudos apontando pro céu, ele tem fitas verdes, largas e grossas, que despencam dos galhos como cortinas. Vive em cima dos troncos, nas forquilhas, às vezes numa pedra coberta de musgo. Não tira nada da árvore onde mora: usa ela só de poleiro, e vive da água da chuva e da umidade do ar. A névoa da manhã, pra ele, é café da manhã.
Na borda dessas fitas nascem florzinhas branquinhas, discretas, que as abelhas visitam. E depois vem o detalhe mais bonito: os frutos são bolinhas translúcidas, esbranquiçadas, parecendo pérolas penduradas na planta. A mata inteira verde, e ele ali, enfeitado de pérolas.
As pérolas não são enfeite, são convite. As aves pequenas comem os frutinhos e levam as sementes no papo até outra árvore, onde uma nova cortina pode começar. É assim que ele pula de tronco em tronco pela floresta, sem nunca pisar no chão.
O da foto estava fazendo exatamente isso: agarrado num tronco no meio da mata úmida, aqui em São Sebastião, com as fitas despencando do galho como se tivessem sido penduradas ali de propósito.
Agora você já sabe o segredo: cacto não é só coisa de sertão. Quando andar pela mata, experimenta olhar pra cima nos troncos. Pode ter um cacto te olhando de lá, morando na neblina.