Caranguejo-verde
Pachygrapsus transversus
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 19
Esse caranguejo sabe o endereço da própria fenda de cor. Quando o perigo aparece, ele não sai correndo pra qualquer buraco: dispara direto pro abrigo dele, uma fenda já escolhida e memorizada, como quem corre pra casa sem precisar pensar no caminho. Os estudiosos notam que esse "retorno ao abrigo" é certeiro, sempre pro mesmo lugar.
É o caranguejo-verde, o atleta oficial do costão. Ele mora na parte mais brava da pedra, ali onde a onda estoura e respinga, e vive correndo entre as poças e as reentrâncias numa velocidade que desafia o olho. A carapaça quase quadrada, verde-oliva rajada de marrom, some contra a pedra molhada: você só percebe ele quando corre.
O trabalho dele é de raspador: aproveita a maré baixa pra pastar a película de algas que forra as pedras, raspando com as pinças ágeis, e ainda faz o serviço de limpeza, comendo os restos que as ondas deixam no costão. Faxineiro e atleta, tudo no mesmo bicho.
E a história dele começa longe: a mãe carrega os ovos embaixo do corpo até nascerem larvas minúsculas, que vão pro mar aberto boiar com as correntes antes de voltar pra pedra. É assim que esses caranguejos foram parar em costões do Caribe ao Brasil inteiro: os filhotes viajam de graça, de corrente em corrente.
Essas fotos fiz no costão aqui de Maresias, com paciência, porque ele não facilita: qualquer sombra e pufe, sumiu na fenda.
Quer testar os reflexos dele? Na maré baixa, chega devagar perto das pedras e para. Conta até dez. Aí dá um passo. O borrão verde que desapareceu na rachadura: era ele, correndo pra casa, pelo caminho que sabe de cor.