Caninana
Spilotes pullatus
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
A caninana faz teatro. Quando se sente encurralada, ela achata o pescoço, solta um sopro bravo e vibra a ponta da cauda no meio das folhas secas, fazendo um barulhinho que imita cascavel. É tudo encenação: ela não tem veneno perigoso nenhum. Uma atriz de dois metros interpretando o papel de cobra braba.
Porque sim, ela é grandona: passa fácil dos dois metros, num corpo fino, elástico e rapidíssimo. E o figurino é dos mais bonitos das nossas matas: preta, riscada de amarelo, como se alguém tivesse desenhado uma rede dourada sobre ela.
Os olhos grandes entregam o horário de trabalho: dia claro. A caninana é caçadora ativa, daquelas que vão atrás: rato, ave, ovo, lagarto, sapo. E é uma atleta completa: sobe em árvore como quem sobe escada, corre no chão, e se precisar atravessa um rio nadando.
Foi num fim de tarde que a gente esbarrou com a da foto: eu e a Déia estávamos saindo de casa quando ela atravessou o caminho, rápida e elegante, e subiu no mato como um raio amarelo e preto. Ficamos os dois parados, sem palavra.
Coitada dela: o tamanho, as cores fortes e o teatrinho de valentona fazem muita gente achar que é perigosa e partir pra cima. É um engano duplo, porque além de inofensiva ela é uma das maiores comedoras de rato que a gente pode ter por perto. Caninana no quintal é dedetização gratuita.
Então, se uma dessas cruzar seu caminho, faz o que a gente fez: para, admira o desenho de rede dourada e deixa a atriz seguir pro próximo ato.