Capitão-de-saíra
Attila rufus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 16
Esse passarinho carrega nome de guerreiro. O nome científico dele é Attila, uma homenagem a Átila, o rei dos hunos, aquele general antigo que botava exércitos pra correr. Os cientistas escolheram esse nome por causa do jeitão valente da turma dele. Um passarinho batizado com nome de conquistador: o capitão-de-saíra leva a fama no próprio registro.
E ele tem pinta pra isso. É robusto, de bico forte com uma pontinha curvada, cabeça cinza como um capuz e o resto do corpo em tons quentes de ferrugem. O olhar é firme, quase de ave de rapina. Macho e fêmea são praticamente iguais, os dois com a mesma cara de poucos amigos.
O jeito de caçar também é de estrategista: ele fica paradão num galho à meia-sombra, imóvel, esperando. Quando um inseto graúdo ou uma aranha se mexe, ele salta num voo curto e certeiro. De vez em quando encara até presas maiores, e se tiver fruta boa por perto, também belisca.
Agora, o mais bonito nele é a voz. O canto é uma sequência de assobios fortes e claros que atravessa o vale, principalmente de manhãzinha e no fim da tarde. É muito mais fácil ouvir o capitão do que ver: ele vive na penumbra da mata, aparece por um instante e mergulha de volta na folhagem.
E tem um detalhe que deixa esse encontro ainda mais especial: o capitão-de-saíra só existe na Mata Atlântica. Essa mata daqui, a que sobe a serra atrás da praia, é a única casa dele no mundo inteiro.
O da foto se mostrou na trilha da cachoeira, aqui em Maresias, naqueles poucos segundos em que ele resolveu sair da sombra.
Quando a gente entrar na mata e ouvir um assobio forte ecoando lá de dentro, para e escuta. Pode ser o capitão passando as tropas em revista.