Periquito-rico
Brotogeris tirica
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 44
Sabe onde o periquito-rico gosta de fazer a casa dele? Dentro da casa dos cupins. Na época de ter filhotes, o casal procura um cupinzeiro daqueles que ficam grudados no tronco das árvores e cava um túnel ali dentro, abrindo espaço pro ninho. A parede de cupinzeiro protege os ovos, e os periquitos ganham uma casa pronta, quentinha e escondida. Quando não acha cupinzeiro, um buraco velho de árvore também serve.
Ele é todo verde. Mas todo verde mesmo: sem mancha, sem enfeite, só o bico clarinho e a cauda comprida. Parece simples, até a luz atravessar as asas dele em voo. Aí o verde se abre em tons e brilhos que de longe ninguém desconfia.
E é outro que só existe no Brasil, na Mata Atlântica. Só que ele não ficou preso na mata: se deu tão bem com as cidades arborizadas que hoje é figura garantida em praça e parque, voando em bando e gritando aquela conversa metálica que a gente escuta antes de ver. Periquito não sabe passar despercebido.
O bando, aliás, é o jeito de viver dele. Fora da época de ninho, eles dormem todos juntos num lugar e voam todo dia até as áreas onde tem comida, indo e voltando como quem pega o mesmo caminho pro trabalho. No cardápio: flores, sementes e frutos de todo tipo, inclusive de palmeiras.
E enquanto come, ele trabalha sem perceber: espalha as sementes das frutas por onde passa e, fuçando as flores atrás de néctar e brotos, ainda leva pólen de uma pra outra.
Esses da foto eu encontrei em Cananéia, num bando barulhento como manda o figurino.
Fecha os olhos numa praça arborizada e espera o barulho: um grito metálico cruzando o céu. Abre os olhos rápido. O risco verde que passou é ele.