Perereca-Castanhola
Itapotihyla langsdorffii
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 6
Depois de um chuvão de verão, pode sair do brejo um som de castanholas, aquele estalar de madeira das dançarinas de flamenco. Quem toca é uma perereca, e das grandes: a perereca-castanhola, batizada assim justamente porque o canto do macho lembra o instrumento.
Ela é avantajada pros padrões das pererecas daqui: a fêmea pode passar de dez centímetros, um gigante de folha. E carrega dois disfarces no corpo. O primeiro é a pele cheia de verruguinhas, que imita casca de árvore com musgo, tanto que o outro apelido dela é perereca-musgo. O segundo são os ocelos: manchas redondas e contrastantes nas laterais do corpo e das coxas, que parecem olhos. Quando um predador chega perto, esses "olhos" desenhados confundem e assustam.
Ela vive lá no alto, na copa das árvores, levando uma vida tão discreta que passa meses sem ser notada. É a chuva forte que muda tudo: em poucas noites, muitos machos e fêmeas descem ao mesmo tempo pras poças e clareiras alagadas, num evento explosivo de canto e desova. Os ovos ficam na água entre as plantas da margem, os girinos crescem ali, e os adultos voltam pro andar de cima.
Tem ainda um detalhe pra quem gosta de coisas únicas: ela é a única espécie do gênero dela no mundo inteiro. Não tem prima próxima, não tem espécie irmã: é ela e pronto.
Essa foto fiz aqui em Maresias, numa dessas noites de chuva em que a mata inteira resolve descer pra festa.
Se um dia você ouvir castanholas vindo do brejo, não procura a dançarina. Procura, no galho mais perto da água, um tronco musgoso com dois olhos de verdade e vários de mentira.