Epidendrum difforme
Epidendrum difforme
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 11
O nome dela, em latim, quer dizer mais ou menos "sem forma certa". E é uma reclamação de botânico, escrita direto na etiqueta: as flores variam tanto de planta pra planta que quem estuda passa raiva pra decidir se aquilo ali é a mesma espécie ou não. Tamanho, formato, tom de verde, muda tudo.
A flor é esverdeada, quase transparente, com aquela textura de cera. Contra a luz do fim de tarde ela parece feita de vidro fosco. Nascem várias juntas na ponta do caule, num tufinho, e duram bastante tempo abertas.
O segredo dela está escondido. O néctar não fica exposto num potinho à vista: ele se acumula num tubo dentro da própria flor, invisível por fora. Quem quiser o doce precisa de língua comprida pra alcançar lá no fundo, e é por isso que quem faz o serviço no grupo dela costuma ser borboleta e mariposa, que têm exatamente essa ferramenta enrolada na cara.
Ela vive presa em tronco e galho, formando touceiras de caules eretos com folhas duras. Não rouba nada da árvore, usa só o apoio, e aproveita a umidade que vem da chuva, da neblina e do vento úmido que sobe do mar.
E ela tem uma vantagem que quase nenhuma orquídea nossa tem: floresce em quase qualquer época. Tem registro dela aberta em fevereiro, em maio, em agosto e em dezembro. Verão, outono, inverno, primavera. Enquanto as outras esperam a estação certa, essa vai abrindo quando dá vontade.
Essa apareceu numa caminhada aqui em Maresias, num galho meio torto de uma árvore da beira da trilha.
Se você olhar uma flor verde-clara translúcida no meio do mato e achar que é folha nova, chega perto. Pode ser ela.