Gibão-de-couro
Hirundinea ferruginea
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 16
Tem passarinho que anda vestido de vaqueiro. Gibão é o nome daquele casaco de couro que o vaqueiro usa pra entrar no mato sem se arranhar, e esse aqui ganhou o nome porque parece usar um: o peito e a cauda são cor de ferrugem, um marrom-avermelhado quentinho, igualzinho couro curtido.
Mas o mais curioso é onde ele gosta de ficar. O gibão-de-couro é bicho de paredão: pousa em rocha quase em pé, agarrado na pedra como se fosse chão. Falésia na beira do mar, pedra grande na serra, corte de estrada, pra ele tá tudo ótimo. E quando não acha pedra, sabe o que ele usa? Prédio. Pra ele, um prédio é só um penhasco que os humanos construíram sem querer.
A caçada dele é de tocaia. Fica paradão num ponto alto, de olho em tudo, e quando um inseto passa voando ele dispara, pega no ar e volta pro mesmo lugar, feito um vigia que nunca abandona o posto. O voo é rápido e direto, tanto que lembra o de uma andorinha.
Na hora de fazer o ninho, ele procura uma fenda na rocha ou um canto protegido do vento e da chuva, e monta uma tigela caprichada que pode levar até pedrinhas na base, junto com gravetos e fibras macias. Um pedreiro de verdade, morando na pedra.
Essa foto fiz na trilha do Bonete, em Ilhabela, e combinou: lá tem costão de pedra de sobra pra um passarinho desses se sentir em casa.
Tem bicho que mora no chão, tem bicho que mora na copa. O gibão-de-couro escolheu a parede. E, pelo jeito que vive agarrado nela, está muito satisfeito com a escolha.